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PROJECTOS DE INVESTIGAÇÃO 2002-2008


RASTREIO NACIONAL DE RESÍDUOS NO MEL

A presença de resíduos no Mel de antibióticos, e de substâncias químicas utilizadas no maneio sanitário apícola, tem vindo a ganhar crescente importância no sector, e alimentado uma discussão considerada pela Direcção da FNAP, como vital para o futuro do sector. De facto, e depois de em 2004 ter ficado bem patente a necessidade dos intervenientes do sector, em especial os apicultores, passarem a garantir a qualidade dos seus produtos, sob pena de virem a perder capacidade de penetração no cada vez mais exigente mercado mundial de mel, a FNAP iniciou uma parceria com o Escola Superior Agrária de Bragança, tendo em vista a execução de um projecto de rastreio de resíduos no mel português.

Este estudo pretendeu não só despistar casos de contaminação de méis, preferencialmente aqueles cujo destino são os mercados de maior consumo (grandes superfícies e exportação), mas também reconhecer de que forma se deu essa contaminação, contribuindo assim de forma decisiva para a resolução do problema, e não apenas para a sua identificação. Para tal, a FNAP coordenou os trabalhos de recolha das amostras, da responsabilidade das organizações de apicultores.

O mel para consumo humano, destinado ao comércio nacional e internacional, tem de verificar um conjunto de requisitos de qualidade cada vez mais exigentes. Dentro destes critérios de qualidade, a análise de resíduos de antibióticos no mel é obrigatória. A Legislação Europeia (Legislação da CEE 2377/90 e posteriores adendas) refere que a presença de antibióticos no mel é proibida, e por isso, sua detecção no mel tem implicações principalmente comerciais, não descurando o aspecto negativo para a saúde humana. Neste contexto, a Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Bragança (Laboratório de Química e Bioquímica Aplicada) em parceria com a Federação Nacional de Apicultores de Portugal efectuou um trabalho de “Rastreio Nacional de Antibióticos no mel: Avaliação das vias de contaminação dos resíduos no mel“, financiado pelo programa Apícola Nacional e com acompanhamento do Gabinete de Planeamento e política Agro-Alimentar (GPPAA), da Direcção Geral de Veterinária (DGV) e do INGA/IFADAP.

O trabalho envolveu a análise de amostras de mel de três anos apícolas (2005-2007) fornecidas por Associações/Cooperativas de Apicultores distribuídas por todo o território Português, com o objectivo principal de avaliar os níveis de contaminação, em antibióticos, no mel Português. O segundo objectivo foi de encontro às necessidades dos Apicultores em identificar fontes externas de contaminação para o mel.


A análise de antibióticos no mel incidiu nos grupos das sulfonamidas, tetraciclinas e estreptomicinas, tendo sido efectuada a pesquisa pelo teste CHARM II e, nos méis cujos resultados deram positivos em antibióticos, a confirmação e quantificação por cromatografia líquida de alto desempenho (HPLC). A identificação da origem da contaminação e avaliação de focos de contaminação foi estudada através de inquéritos efectuados aos apicultores cujos méis deram resultados positivos, bem como, através de ensaios experimentais envolvendo apiários de teste.

Globalmente, verificou-se que os níveis de contaminação do mel nacional em resíduos de antibióticos sulfonamidas foram significativos. Pelo contrário, os níveis de presença dos antibióticos tetraciclinas no mel foram baixos, enquanto que, os antibióticos estreptomicinas não foram detectados em qualquer amostra de mel. Ao nível da remediação/eliminação de antibióticos presentes num apiário verificou-se que, em geral, serão as boas práticas de maneio que permitirão garantir a qualidade do mel.


Resumo da Comunicação - Fórum 2008

Comunicação - Fórum 2008



RASTREIO EPIDEMIOLÓGICO DE DOENÇAS DAS ABELHAS

A Federação Nacional dos Apicultores de Portugal (FNAP) em parceria com a Direcção-Geral de Veterinária (DGV) e com o apoio da Faculdade de Medicina Veterinária (FMV) levou a cabo de Março a Setembro de 2006 o Rastreio Nacional de Doenças das Abelhas (RNDA 2006) no âmbito do Programa Sanitário Apícola 2006, estabelecido com a DGV e com financiamento obtido junto do Programa Apícola Nacional.

Os objectivos principais deste rastreio consistiam em estimar a prevalência e distribuição geográfica das doenças das abelhas e descrever as características de maneio dos apiários, principalmente as relacionadas com a saúde dos mesmos.

O rastreio foi realizado numa amostra aleatória seleccionada em 5 estratos de tamanho de apiário (nº de colónias), proporcionalmente à sua representatividade, numa população de cerca de 30.500 apiários registado na base de dados do INGA, actual IFAP. O desenho inicial da amostra foi de 656 apiários, distribuídos pelas 7 Direcções Regionais de Agricultura (DRA). Foram indicados nominalmente à FNAP, os produtores aleatoriamente seleccionados a constar da amostra em cada DRA.

Em cada apiário, os técnicos das organizações de apicultores recolheram amostras de parte das colmeias, seleccionando-se as que apresentaram alguma alteração e as mais expostas (das extremidades). Foram também recolhidos dados, registados num questionário. As amostras de abelhas, favos e criação foram enviadas ao Laboratório Nacional de Investigação Veterinária para análise anatomo-patológica e pesquisa de várias doenças das abelhas. Os dados foram introduzidos pelos técnicos na base de dados com acesso restrito on-line e posteriormente verificados e analisados com apoio da FMV.

O RNDA 2006 apresentou uma taxa de cumprimento de 63% (356 apiários amostrados), cobrindo 125 concelhos (41% dos existentes em Portugal Continental). O rastreio não foi implementado na DRA de Entre-Douro e Minho, por esta região não ter nenhuma organização de apicultores com capacidade para fazer o trabalho de recolha das amostras.

O questionário foi feito em apenas 208 apiários (58%). Em 75% destes apiários foi indicada a morte de pelo menos uma colónia em 2005/06. Foi determinada uma mortalidade por apiário de 34% das colónias existentes neste período, variando entre 4 e 89%. As causas de mortalidade indicadas pelos apicultores foram a varroose em apenas 15%, loque americana 5%, fogo 2%, e 78% devidos a causas não explicitadas.

As principais características dos apiários apontam para a existência de apenas 11% de apiários transumantes, com maior expressão no Algarve; cerca de um terço dos apiários não é feita substituição de cera dos quadros do ninho (32%); a alimentação de colónias é efectuada por 63% dos apicultores; o material é desinfectado em 77% dos casos e os utensílios são desinfectados em 61%, mas destes, 51% fazem-no apenas uma vez ao ano. A enxameação interna está na origem dos novos enxames para 73% dos apiários, a esta segue-se a enxameação externa (48%) e o desdobramento (44%). A aquisição foi efectuada por 9,8% e 12,1% indicaram outras origens de enxames em 2005. Foram identificados 13 diferentes produtos comerciais para o tratamento da varroose, cuja duração média é entre 1 e 2 meses.

A varroose (Varroa destructor), foi a parasitose mais frequente afectando 27,0% dos apiários, seguindo-se da senotainiose (forma larvar da Senotaina tricuspis) em 19,8% e a nosemose (Nosema apis, protozoário intestinal) em 18,8% dos apiários. As outras doenças pesquisadas foram identificadas em menor percentagem de apiários, nomeadamente a ascosferiose (fungo Ascosphaera sp.) (3,7%), a loque americana (Paenibacillus larvae) (2,3%), a amebiase (Malpigamoeba mellificae) (2,3%), a galeriose (Galleria mellonella, traça da cera) (1,1%) e a acarapisose (Acarapis woodi, ácaro da traqueia) (0,3%). Não foi possível a identificação de loque europeia (Melissococcus pluton) ou cria ensacada (vírus).

O RNDA 2006 confirmou a varroose como a parasitose mais importante, sendo fundamental o seu seguimento periódico, para se avaliar a eficácia das medidas de controlo que recorrem a químicos lesivos para a saúde pública. A senotainiose é uma doença preocupante pela sua dispersão e dificuldade de controlo. A loque americana surgiu numa prevalência menor do que a esperada e, na generalidade, as doenças encontram-se distribuídas por todo o país. O investimento na higiene e controlo dos apiários apresenta grande espaço de melhoramento numa tentativa de reduzir a mortalidade das colónias que se revelou elevada.

Este estudo foi importante para apoiar a formulação de medidas de controlo das doenças das abelhas e para definição de prioridades na alocação de meios destinados à apicultura.


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